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Hoje, falaremos de 2 estilos cinematográficos que revolucionaram o cinema

O expressionismo alemão e o cinema Noir

O expressionismo alemão com seu auge na década de 1920, tinha como objetivo expressar a maneira como seus idealizadores viam o mundo, usavam da distorção de cenários e personagens, através da maquiagem, dos recursos de fotografia e de outros aparato.

E O Cinema Noir ou Film Noir destacou-se nas décadas de 40 e 50, um estilo de filme que está associado a questões policiais,  com grande influência do expressionismo alemão, do realismo poético francês e do neo-realismo italiano.

Parece complexo né mas, não é!
Vamos começar falando sobre o movimento do expressionismo, nascido na Alemanha no final do século XIX, é muito maior que a idéia de um movimento de arte, e antes de tudo, uma negação ao mundo burguês. Seu surgimento contribuiu para refletir posições contrárias ao racionalismo moderno e ao trabalho mecânico, através de obras que combatiam a razão com a fantasia.
Influenciados pela filosofia de Nietzsche e pela teoria do inconsciente de Freud, os artistas alemães do início do século fizeram a arte ultrapassar os limites da realidade, tornando-se expressão pura da subjetividade psicológica e emocional.
O cinema alemão da década de 20, onde o expressionismo encontra-se vinculado, era descrito como extremo, decadente e com doses cavalares de violência, uma apologia ao nazismo que viria logo depois.
O êxito de algumas produções expressionistas alemãs ganharam fama em pontos distintos do planeta, com notoriedade para os Estados Unidos, que sofreram a influência direta destas produções, principalmente no que tange ao filme Noir.
O gabinete do dr. Caligari (de Robert Wiene, 1920) seria um dos principais exemplares do gênero.
No filme, os cenários são bizarros e seu enredo tem tom de pesadelo, características típicas de filmes deste estilo, que também estava vinculado a outros campos da cultura, como a pintura, a literatura e o teatro. O fim do século trouxe um período de conturbações: as culturas advindas da Europa, apesar de se orgulharem de seu imperialismo, sofriam pelas múltiplas manifestações de cunho anticapitalista. A exemplificação vem das obras de Baudelaire e as idéias bem difusas de Friedrich Nietzsche.
Para aprofundar mais sobre esse movimento veja alguns filmes da época:
Der Student von Prag (1913) | Paul Wegener, Stellan Rye
Der Mandarin (1918) | Fritz Freisler
Nerven (1919) | Robert Reinert
Histórias Extraordinárias (1919) | Richard Oswald
Algol – Tragödie der Macht (1920) | Hans Werckmeister
Da manhã à meia-noite (1920) | Karl Heinz Martin
Genuine (1920) | Robert Wiene
O Golem (1920) | Carl Boese, Paul Wegener
A Morte Cansada (1921) | Fritz Lang

Falemos agora de O grito, de Edvard Munch

Na pintura temos a obra “ O grito” de Edvard Munch que foi exposta pela primeira vez em 1893.

Na pintura expressionista expunha uma doutrina que envolvia o uso estático da cor e a distorção emotiva da forma, tratando também do aspecto profundo, divino e imperceptível das coisas.

Na literatura temos Franz Kafka como representante, apontados por alguns como expressionista. Tais características destas formas de artes estavam refletidas também no cinema.Em primeiro lugar, havia uma iluminação bem especial, bastante insólita, que estava atrelada à maquiagem, que transformava o rosto dos atores em máscaras, cujo tratamento repleto de exageros podia levar à caricatura e ao grotesco.

 

A escassez de materiais tornava prejudicial a pesquisa em torno do cinema alemão perdidos durante a fase bélica da Alemanha, grandemente envolvida nas duas grandes guerras mundiais. Segundo historiadores, o cinema alemão sofreu grande influência do cinema escandinavo.
O primeiro representante do gênero foi “O outro” (1913), de Max Mack, considerado também o primeiro filme de cunho psicanalítico do cinema. O enredo gira em torno de um homem que desenvolve dupla personalidade após sofrer um acidente.
Um outro representante é O estudante de Praga (1913), que esta na nossa listinha de filmes – que misturando Goethe e Edgar Allan Poe, narra a história trágica do estudante Baldwin, que vende seu reflexo no espelho ao demônio Scapinelli e passa a ser perseguido por seu duplo diabólico. O cinema expressionista alemão é diretamente ligado à temática fantástica.
Alguns outros elementos caracterizaram o cinema expressionista: Ligações com o gótico, efeitos de sombra e luz nas imagens e vilões sobrenaturais.
Apesar do avanço tecnológico destas produções, que influenciaram na qualidade narrativa das mesmas, o cinema alemão enfrentou duro boicote internacional, por questões referentes a seu envolvimento nas guerras mundiais.
Também, “O gabinete do dr. Caligari” ganhou notoriedade dentro deste estudos devido a criação de uma atmosfera de pesadelo que ganhou possibilidade pela produção em painéis pintados ao estilo expressionista, traçando um panorama com aspectos tortuosos e imprevisíveis. Somado a isso, estavam as interpretações dos atores, exageradas e de forte impacto visual, com maquiagem deformadora e enredo envolvendo personagens com sentimentos de destruição e revolta contra as autoridades.
Fritz Lang, um dos mais famosos nomes da escola do expressionismo alemão
No que tange o quesito composição, o cinema expressionista prendeu-se em muitos aspectos ao gótico medieval, como maquiagem reforçada e o figurino estilizado.
Uma outra característica foram as cenas repletas de alucinações.
Um título que dará mais entendimento da estética expressionista é a película entitulada “Fantasma” (1922). Numa determinada cena, o protagonista é dominado por uma vertigem e as escadas do caminho que segue começam a subir e descer sem que ele precise se mexer.
No quesito temática, o cinema expressionista alemão estava ligado ao universo da literatura romântico-fantástica. Na estrutura da narrativa, uma das experiências marcantes era evitar o uso de letreiros narrativos e/ou explicativos: era um cinema interessado em mostrar, e cada um que entendesse da sua forma a mensagem transmitida. A descontinuidade era parte do processo narrativo, sendo o espectador o responsável pela construção da narrativa.
FW Murnau, Fritz Lang e Paul Leni foram os três maiores representantes do movimento, que de tão marcante, influenciou em quesitos estéticos o estilo hollywoodiano Noir.

 O Expressionismo concentra-se no “poder dos espetáculos” e oferece ao público “uma espécie de imagem desconectada de sua própria situação”.

Ele está ligado a uma série de outros movimentos contemporâneos cujos objetivos foram derrubar a sociedade tradicional. Todos esses movimentos compartilhavam do desejo de provocar mudanças na sociedade, freqüentemente com foco na superação da classe burguesa e no fortalecimento do indivíduo.

Os filmes expressionistas permanecem marcados por seus cenários e atuações extremamente estilizados, seu visual altamente contrastado e edição simples. A maior parte deles era gravada em estúdios, onde se podia usar iluminação e ângulos de câmera deliberadamente exagerados e dramáticos, para enfatizar algum aspecto particular dos personagens – medo, horror, dor, etc.

 

O CINEMA NOIR

O que é o cinema noir?

Gênero considerado como diferencial/intelectual.
Filmes com luz expressionista, narrados em off, trazendo um detetive durão e uma loira linda e fatal, apimentado com altas doses de erotismo.
Mas a grande confusão na definição do gênero está ligada às suas origens, equivocadas para muitos estudiosos, que não sabiam que na verdade, o gênero não é essencialmente norte-americano. Ele se difundiu e ampliou-se por lá, mas é oriundo da França, país que se encontrava privado de cinema hollywoodiano, vendo-se diante de uma leva de filmes franceses, entre eles os clássicos Alma torturada (1942) e Assassinos (1946).
E outra né, Noir, vem do Francês “preto, negro” – além disso, é uma expressão francesa designada a um subgênero de filme policial, o qual teve o seu ápice nos Estados Unidos entre os anos 1939 e 1950.
A expressão foi aplicada pela primeira vez a um filme pelo crítico francês Nino Frank, em 1946, por analogia com os romances policiais da Série noire, uma coleção criada pela Gallimard, em 1945, cujos livros tinham capa preta e amarela, com sobrecapa preta e bordas brancas.
A expressão era desconhecida dos diretores e atores à época em que foram produzidos os filmes noirs clássicos, tendo sido introduzida posteriormente por historiadores e críticos de cinema. Muitos dos criadores de films noirs revelaram mais tarde que não imaginavam, naquela época, que haviam dado origem a um subgênero cinematográfico.
Os primeiros noirs apareceram no começo da década de 1940. Historicamente, foram filmados em preto-e-branco em alto contraste, sob influência da cinematografia do expressionismo alemão.
Os diretores empregavam nas suas obras os tons escurecidos, na temática e na fotografia, além da representação critica da sociedade americana e subversão a unidade hollywoodiana.
Alguns dos mais famosos diretores da fase clássica são: Jules Dassin, Samuel Fuller, Alfred Hitchcock, Fritz Lang, Robert Wise e Nicholas Ray, alguns deles já citados.
Com o passar dos tempos, o cinema noir tornou-se objeto de culto. Filmes atuais como Los Angeles – Cidade Proibida (1997), Estrada perdida (1997) e O homem que não estava lá (2001) seriam versões modernas do gênero. O elemento central do gênero é o crime e simbolizava o mal-estar pós-guerra dos americanos.
Além de possuir uma certa rivalidade com o expressionismo alemão. Ambos trabalharam rumo a uma mesma direção, o reconhecimento do cinema diante de um publico intelectual, o reconhecimento deste como arte.
Mas, o impressionismo foi um estilo de fazer cinema muito popular na França durante toda a década de 1920, ficou muito conhecido por defender o cinema como um meio autônomo,
singular, “puro”. Porem adotou da pintura impressionista a presença de um olhar móvel do espaço.
As principais inovações promovidas por esta vanguarda foram na área da aparência fotográfica. Distorções, montagem acelerada, superexposições e ângulos inovadores estão entre o amplo leque de inovações promovidas pelos impressionistas. Além disso, os filmes dessa época conseguem demonstrar de maneira bem sucedida o universo interior das personagens (como no filme eldorado, 1921, de L’Herbier, através de um efeito de foque e desfoque, consegue mostrar os sentimentos de uma das personagens).
Um amplo numero de diretores franceses aderiram a estética à época, como Louis Delluc, que sugeriu o uso do termo impressionismo, além de dirigir filmes como A inundação (1924).
Outro diretor fundamental foi Abel Gance, que pôs em prática vários anseios do movimento, como alguns ângulos revolucionários que podem ser encontrados em Napoleão (1927).
Jean Epstein (considerado o mais inovador diretor do movimento, por filmes como O espelho de Três Faces, de 1927, que rompe com a estrutura linear das narrativas da época).

Os filmes remetem diretamente ao Expressionismo Alemão, que é marcado por uma fotografia preta e branca, iluminação dramática com foco nas sombras (silhuetas de pessoas, barras de janelas, carros, portas, armas, a fumaça do cigarro e paisagens, em geral) para enfatizar o cenário e onde o personagem se encontra. Os enredos aparecem cheios de drama, obsessão, atração sexual, paranóias e desconfiança.

Os personagens do film noir costumam ser recorrentes. Os protagonistas masculinos são ambíguos, como o anti-herói que vive uma vida vazia, não confia em ninguém e é frio, e usa isso como defesa. Há também o clichê do detetive, que é uma figura pouco confiável (nem mesmo os bandidos confiam nele); o policial corrupto, o marido ciumento e o herói. No figurino, a figura masculina era marcada por ternos, gravatas, chapéus, casaco e um cigarro.

As personagens femininas costumam seguir a linha Femme Fatale. São inteligentes, independentes, sensuais e, muitas vezes, usam os homens para alcançar seu objetivo, fingindo ser frágil e precisar de ajuda. São manipuladoras e, quase sempre, são as principais causadoras de todos os problemas da trama.

As luzes, por exemplo, eram projetadas minunciosamente para marcar bem o rosto da personagem e delinear suas curvas; essas características se tornaram um marco para a beleza feminina projetada no cinema da época.

Nos filmes do gênero, existe a predominância do tom pessimista e fatalista, atmosfera repleta de crueldade, clima claustrofóbico e herança estilística da literatura policial. A complexidade das tramas e o uso intenso de flashbacks são marcantes, somados a ruas desertas, paisagens noturnas. Nota-se inclusive os títulos de filmes noirs, sua maioria trazendo palavras de cunho iconográfico como city, dark, street, windown, lonely, mirror, e as de cunho temático, como fear, cry, panic, death.
O homem do Noir, diferente do caubói do western traz na sua personalidade o derrotismo, ambigüidade, narcisismo, isolamento e egocentrismo. A mulher do Noir, mítica, metaforiza a independência que as mesmas alcançaram no pós-guerra.
Os filmes Neo-Noir, por sua vez, foram influenciados pela fase clássica.
Mas o Cinema Noir também influenciou o gênero chamado cyberpunk, calcado na ficção científica. A mistura do Film Noir com o gênero cyberpunk resulta no que é chamado de tech-noir. E o mais novo fruto do Cinema Noir é o gênero teen-noir que é considerado pelos críticos um símbolo da expressão das angústias do universo adolescente.

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