Chegamos no Japão, um país geograficamente distante mas, isso não impediu que nos tornássemos uma grande família.

Com sua cultura forte, sua alta tecnologia reconhecida, sua culinária apreciada por muitos brasileiros, o cinema Japonês também tem seus admiradores aqui no Brasil

Para aproximar e apertar os laços, falaremos com orgulho do cinema Japonês.

Acompanhe conosco essa viagem na história do cinema da terra do Sol Nascente – Japão!

 

O Japão, país insular no Oceano Pacífico, tem cidades densas, palácios imperiais, parques nacionais montanhosos e milhares de santuários e templos. Os trens-bala Shinkansen conectam as principais ilhas: Kyushu (com as praias subtropicais de Okinawa), Honshu (onde ficam Tóquio e a sede do memorial da bomba atômica de Hiroshima) e Hokkaido (famosa como destino para a prática de esqui). Tóquio, a capital, é conhecida por seus arranha-céus e lojas e pela cultura pop.

Capital: Tóquio

Moeda: Iene

Imperador: Naruhito

O cinema chegou ao Japão em pleno período de mudanças sociais, políticas e econômicas que caracterizaram a Era Meiji (1868 – 1912).

A aceleração e modernização industrial do país nessa época contou com a abertura das fronteiras nacionais para produtos e invenções do Ocidente.

Em 1897, platéias do Japão tomaram conhecimento de uma nova forma de entretenimento, através da demonstração do sistema de projeção de filmes da Vitascope, empresa americana formada por Thomas Armat e pelo inventor Thomas Alva Edison.

O primeiro filme produzido no Japão foi o documentário de curta-metragem (Geisha No Teoderi) em junho de 1899.

Anos depois, o Japão já estava formando sua própria indústria cinematográfica, produzindo seus próprios filmes mudos, geralmente retratando aventuras de época e história de samurais injustiçados. Enquanto no mundo inteiro o cinema era mudo, no Japão os filmes eram parcialmente sonorizados com a presença do benshi, uma pessoa que reproduzia os diálogos do filme, interpretando as vozes dos vários personagens durante a projeção – uma espécie de dublador ao vivo.

Os filmes japoneses refletiam elementos da cultura do país, como filmagem de peças do teatro kabuki e teatro nô, além de danças de gueixas e pequenos outros espetáculos seculares, porém, menos presentes que as manifestações tradicionais.

A primeira grande produção do cinema japonês ocorreu em 1913, quando o diretor/produtor Shozo Makino uniu-se ao ator Matsunoke Onobe para realizarem a primeira de várias versões de Chushingura (Os 47 Ronins).

Em 1923, o grande terremoto de Tokyo devastou os estúdios que havia na cidade, o que obrigou o Japão a reconstruir sua nascente indústria cinematográfica.

Depois do terremoto, além de Tokyo, a cidade de Kyoto também se tornou outro pólo de produção de filmes.

Poucos anos depois, a política passaria a influenciar fortemente a produção cinematográfica. Em 1932, militares assassinam o Primeiro Ministro Tsuyoshi Inukai e tomam o poder de fato no país. Em 1933, quando o Japão começa a guerra contra a China, as salas de cinema passam a ser controladas pelos militares e passam a exibir filmes educacionais e de propaganda militarista em doses massivas. O mesmo ocorre nos estúdios, com a intervenção de executivos de confiança dos militares, então passaram a produzir filmes que enfatizavam a lealdade do povo ao Imperador e a priorização do sacrifício pessoal em benefício do grupo.

Com a 2ª Guerra Mundial o país enfrentou mudanças que se refletiram no cinema de forma ideológica. A partir de então as produções passam a ter um caráter de propaganda, mais tarde consideradas “feudais e antidemocráticas” pelos Estados Unidos e países aliados, os quais destruíram suas cópias e em seguida censuraram essas produções por quatro anos (de 1946 à 1950).

Kenji Mizoguchi foi um dos diretores que mais se destacou no período anterior e posterior à Guerra. Ele começou a carreira nos anos 20 e se especializou em retratar a mulher japonesa em seus filmes como Gion no Shimai (As Irmãs de Gion, 1939) fala sobre gueixas do famoso bairro de Kyoto;

Já Yoru no Onnatachi (Mulheres da Noite, 1948) é um retrato da vida das prostitutas do pós-guerra, que foi decisivo par que as leis sobre a prostituição no Japão fossem mudadas.

É nessa fase que surge no cenário cinematográfico japonês o diretor Akira Kurosawa, que faz sua estréia em 1943 com Sugata Sanshiro (Sugata Sanshiro – Uma Saga do Judô).

Com a desaceleração temática bem distantes das do cinema ocidental, o cinema japonês levou tempo até ser reconhecido pelos grandes circuitos. Mas, eventualmente, o trabalho de diretores como Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi, e Yasujirō Ozu fez com que esse cinema tenha sido muito aclamado.

Em 1951 foi o ano em que o ocidente “descobriu” o cinema japonês através de Rashomon (Rashomon, 1950), dirigido por Kurosawa. Premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1951 e com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1952, Rashomon é a complexa narrativa de quatro versões contraditórias do mesmo incidente. Filmado em preto-e-branco, Rashomon trouxe técnicas inovadoras de narrativa para a época, que foram posteriormente imitadas por vários diretores no ocidente.

Depois de Roshomon, Kurosawa é cada vez mais reconhecido no exterior e passa a produzir para esse mercado, mas surgem outros diretores com propostas diferentes no Japão.

Roshomon deu a Kurosawa uma grande liberdade artística perante o sistema de estúdios e de produção cinematográfica no Japão, coisa que ainda hoje a maioria dos diretores não têm. Isso logo se refletiu em seus filmes seguintes.

Em 1959, Kurosawa cria sua própria produtora e dá continuidade a uma carreira ascendente, Em 1965, Kurosawa é agraciado com o Prêmio Asahi de Cultura e em 1967 ele anuncia em conjunto com a 20th Century Fox a produção de um filme sobre o ataque japonês a Pearl Harbor em 1941.

Kurosawa lança em 1970 seu primeiro filme colorido: Dodeskaden, um título onomatopaico que imita o som de um trem em movimento. Nessa época, aos 60 anos, Kurosawa já estava sofrendo de depressão, que se agravava com problemas para conseguir alto financiamento para seus projetos, chegando a tentar suicídio em dezembro de 1971.

Em 1975, Kurosawa lança Dersu Uzala, que foi premiado com a Medalha de Ouro do Festival de Moscou e com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1976 – um efeito inigualado nos tempos da Guerra Fria.

Em 1980, após dez anos sem filmar no Japão, Kurosawa lançou Kagemusha . Na época, Kagemusha foi o filme mais caro feito no Japão e foi possível graças a ajuda de Francis Ford Coppola e George Lucas, que convenceram a 20th Century Fox a investir no projeto de Kurosawa. Kagemusha dividiu a Palma de Ouro do Festival de Cannes com o filme All That Jazz, de Bob Fosse.

Reconhecido internacionalmente, Kurosawa tornou-se o diretor mais popular no ocidente que no Japão.

Depois de lançar Ran (Ran, 1985) e Runaway Train (Trem Desgovernado, 1986), ele recebeu em 1990 um Oscar pelo conjunto de sua obra.

Naquele mesmo ano, Dreams (Sonhos), o filme mais intimista de Kurosawa, chegou aos cinemas. Posteriormente ele lançou Rhapsody in August (Rapsódia em Agosto, 1991) e seu último filme, Madadayo (Não Ainda Não, 1993). Akira Kurosawa faleceu em 1998.

Não só de Kurosawa vive o cinema pós-guerra japonês. Narayama Bushi-Ko (A Balada de Narayama) possui duas versões: uma de 1958, dirigida por Keisuke Kinoshita, com muitos elementos do teatro Kabuki, e outra em 1983, dirigida por Shohei Imamura, premiada com Palma de Ouro em Cannes. Narayama Bushi-Ko é a história de uma vila onde existe a tradição de abandonar os idosos para morrem, e instiga a platéia a questionar os valores da civilização.

Nagisa Oshima, um advogado formado pela Universidade de Kyoto, começou a carreira no cinema como assistente de direção nos estúdios da Shichiku em 1954. Seus primeiros filmes foram de yakusa, como Ai to Kibo no Machi (A Cidade do Amor e da Esperança, 1959) e Seishun Zankoku Monogatari (O Conto da Juventude Cruel, 1960). O primeiro filme de Oshima visto no ocidente foi Koshikei (Enforcamento, 1968), baseado na história real de um rapaz coreano que estuprou e matou duas jovens no Japão e foi condenado à morte.

Mas recentemente, Oshima dirigiu Merry Christmas, Mr. Lawrence (Furyo – Em Nome da Honra, 1983), tendo o cantor David Bowie e o músico Ryuichi Sakamoto nos papéis principais, sobre um campo de prisioneiros japonês durante a 2a. Guerra.

Recentemente, num curioso paradoxo, são produções em desenho animado que vem alcançando alto nível de produção e bilheterias milionárias no Japão.

Nos anos 2000, Miyazaki firma-se  como o mais prestigiado diretor de cinema e animação da atualidade no Japão. Alcançando as maiores bilheterias do ano, também fatura o Leão de Ouro de Veneza e o Oscar de Melhor Filme de Animação.

O curioso que o cinema japonês demonstra uma forte ascendente cultural, de maneira alguma tentando rotular seu cinema como cinema universal.

A cultura e os aspectos de um cinema que começou mudo e hoje é um dos mais tecnológicos do mundo.

Para conferir um pouco mais sobre o cinema japonês e sua cultura, selecionamos 10 Filmes que são clássicos do cinema japonês.

 

Rashomon (1950) | Akira Kurosawa

RashomonJapão, século XI. Durante uma forte tempestade, um lenhador, um sacerdote e um camponês procuram refúgio nas ruínas de pedra do Portão de Rashomon. O sacerdote diz os detalhes de um julgamento que testemunhou, envolvendo o estupro de Masako e o assassinato do marido dela, Takehiro, um samurai. Em flashback é mostrado o julgamento do bandido Tajomaru, onde acontecem quatro testemunhos, inclusive de Takehiro através de um médium. Cada um é uma “verdade”, que entra em conflito com os outros.

 

Era uma Vez em Tóquio (1953) | Yasujirô Ozu

Era uma Vez em ToquioCasal de idosos viaja a Tóquio, onde pretende visitar os filhos que há anos não vêem. Porém, todos são muito atarefados e não têm tempo para dar-lhes atenção. Quando sua mãe fica doente, os filhos vão visitá-la junto com a nora de seu falecido filho mais novo, e complexos sentimentos são revelados entre eles.

 

Contos da Lua Vaga (1953) | Kenji Mizoguchi

Contos da Lua VagaNo século XVI, em um Japão feudal violento, um fazendeiro quer ser samurai e outro quer enriquecer através do comércio. Filme ganhou o Leão de Prata no Festival de Veneza de 1953.

 

Godzilla (1954) | Ishirô Honda

Devido aos testes nucleares realizados pelos Estados Unidos, um gigantesco réptil de em torno de 50 metros de altura é revivido. Além do tamanho e força, a fera possui um sopro radioativo mortal e destruidor que usa para atacar a cidade de Tóquio, dizimando tudo o que encontra pela frente em uma fúria mortal.

 

Fogo na Planície (1959) | Kon Ichikawa

Fogo na PlanicieO soldado raso Tamura, uma vez saído do hospital para tratar da tuberculose, retorna ao batalhão de origem, mas é mandado de volta pelo comandante porque não havia mais comida para as tropas. Assim, Tamura caminha sem rumo pela Filipinas, um país desconhecido da qual não falava a língua, em busca de algo que, sinceramente, ele não sabia.

 

Harakiri (1962) | Masaki Kobayashi

HarakiriPor meio de ”flashbacks”, o filme narra a trágica história de um samurai forçado a vender sua espada real para sustentar sua esposa doente e seu filho. É incitado à vingança quando descobre que seu genro cometeu harakiri – forma honrosa para um samurai cometer suicídio – com uma espada de bambu também por falta de dinheiro.

 

O Funeral das Rosas (1969) | Toshio Matsumoto

O Funeral das RosasUma fervilhante colisão da estética vanguardista com o impacto do grotesco, Bara Soretsu nos leva por uma eletrizante jornada às profundezas do submundo da Tóquio de fins dos anos 1960. Na controversa estreia de Toshio Matsumoto, nada parece ser tabu: nem a incorporação do floreado visual do mundo do design da época, nem a destemida captura da nudez, sexo, uso de drogas e banheiros públicos. Mas de todas as “transgressões” expostas, há um destaque especial: o inovador e incontrito retrato da subcultura gay japonesa proporcionados por este filme.

 

Ichi – O Assassino (2001) | Takashi Miike

Ichi O AssassinoNo Japão, Anjo, um chefe da máfia Yakuza, desaparece com três milhões de yens. Os membros de sua gangue, liderados pelo masoquista Kakihara, iniciam uma busca, mas a agressividade de seus métodos sangrentos aborrece os membros de outra gangue. Para complicar ainda mais, Kakihara contrata o misterioso matador Ichi, um assassino psicopata com uma infância obscura e secreta, que é controlado por um policial aposentado. Agora será provado para todos que o inferno realmente existe.

 

A Viagem de Chihiro (2001) | Hayao Miyazaki

A Viagem de ChihiroChihiro, uma garota de 10 anos, acompanhada pelos pais numa viagem de mudança vê-se subitamente encurralada numa situação desesperadora: seus pais, após comerem da comida de um restaurante desconhecido, transformam-se em porcos. A garota, então, deve fazer de tudo para reverter o acontecido, em um mundo bizarro e fantasioso. Oscar de Melhor Animação.

 

Pais e Filhos (2013) | Hirokazu Koreeda

Pais e Filhos filme 2013Ryota Nomomiya, um grande homem de negócios, obcecado pelo dinheiro e pelo sucesso, um dia descobre que seu filho biológico foi trocado por outro após o nascimento. Ele deve tomar uma difícil decisão, entre seu filho biológico ou o filho que ele criou.

 

 

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